O que o Tempo Faz
O que o Tempo Faz
Inesperados dias se passaram...
Levados pelo domínio dos ventos e quebrantados ao invisível,
Sem deixar rastros de uma felicidade qualquer.
Assim eu viajo entre as horas esperando um sinal de que tudo terá o seu merecido e tão esperado concerto.
Acreditando que a esperança morrerá bem depois do pouco que sobrará deste meu enfadado corpo.
Deformado pelo poder dos dias e pela impiedade dos anos,
Assim eu espero insano,
quase desprovido de boas idéias que algo de bom que me aconteça
mesmo eu tecendo tantas míseras blasfêmias
contra os deuses da noite que sorriram tantas vezes do meu cansaço
quando me revirava em meu travesseiro
procurando um canto seco onde os meus olhos ainda não desabafaram minha dor,
merecesse um presente.
Um alívio junto às pedras bem trabalhadas e coloridas pelas pinceladas que o abandono fez,
Desta forma almejo que tudo termine, enfim, perfumado por algumas horas,
Pelas maravilhas que homem colhe no berço da natureza.
Belo e deitado sobre um jardim noturno.
Assustador e deformado...
Deteriorado e encaixotado...
Assim o tempo faz, assim,
De tudo o tempo é capaz,
O que o tempo ainda faz
Aos que no tempo jaz.
Alexandre Luiz Gobe†i
16/05/2008
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